Gaston Leroux é conhecido no Brasil pela sua obra-prima “O Fantasma da Ópera”, mas também escreveu contos memoráveis que vão do grotesco ao macabro.
Texto de Bira Câmara
Gaston Leroux dispensa apresentação, pois quem não conhece sua obra-prima O Fantasma da Ópera, que projetou seu nome além das fronteiras da França, com incontáveis reedições e adapções para o cinema, televisão e teatro? Influenciado pelas obras de Edgar Allan Pöe, Stendhal e Conan Doyle, Leroux escreveu vários romances de aventura, mistério e horror, mas também peças teatrais e contos.
No Brasil, o seu nome ficou indelevelmente associado ao Fantasma da Ópera, e as demais obras de sua autoria não alcançaram a mesma publicidade. Esta edição apresenta alguns de seus contos onde é evidente a influência de Pöe. Por certo os aficionados da literatura fantástica e de mistério certamente curtirão as histórias extravagantes e insólitas de um autor que sabe prender a atenção do leitor até o final inesperado.
Seus contos, originalmente publicados na imprensa, foram reunidos sob o título de Histoires Épouvantables (“Histórias Aterrorizantes”) e vão do grotesco ao macabro, num estilo que tem o toque jornalístico, pois não podemos esquecer que o autor iniciou sua carreira de escritor como repórter. O clima de suas histórias é sombrio e elas sempre terminam de maneira trágica, embora algumas com leves toques de humor negro.Seu romance O Mistério do Quarto Amarelo (1907) é considerado uma obra-prima do gênero policial e foi publicado inicialmente em doze episódios no suplemento literário de L’Illustration. Nesta obra aparece pela primeira vez seu personagem Joseph Rouletabille, jovem repórter investigativo, e onde Leroux aproveita para alfinetar os membros da Academia Francesa retratando-os como analfabetos que obtinham sucesso e uma cadeira de imortal.
O primeiro romance de sua série Chéri-Bibi foi publicado em 1913, seguido por títulos como O golpe de estado de Chéri-Bibi (1916) e Prisioneiro Velado (1923). Vinte e seis volumes desta série foram publicados por Pierre Laffitte, entre 1908 e 1924.
Entre outras obras de Leroux se destacam A Rainha do Sabbath (1909), A Dupla Vida de Théophraste Longuet (1904), A Noiva do Sol (1915), O Homem que voltou da Morte (1916), Balaoo (1913), A Cadeira Assombrada (1922), O beijo assassino (1924), A máquina de matar (1924) e As aventuras de uma coquete (1926).
Gaston Louis Alfred Leroux nasceu em 6 de maio de 1868 em Paris. Seus avós possuíam uma empresa de construção naval na pequena vila costeira de St. Valery-en-Caux, na Normandia, França, onde residia com seus pais. Ele adorava a vida de velejar e pescar, e desde cedo sabia que queria se tornar um escritor. Já nos tempos de estudante escrevia poesia, contos e estudou as obras de Victor Hugo e Alexandre Dumas pai. Viajou para Paris, onde estudou direito e obteve seu diploma em 1889, mas naquele momento, após anos de estudo, não estava mais interessado na profissão, embora seu conhecimento lhe servisse para futuros escritos.
Escreveu artigos para revistas literárias, incluindo a revista Lutèce, na qual colaboraram Verlaine, Laforgue e outros. Obteve um cargo como repórter da corte, crítico de teatro e jornalista, viajando ao exterior e escrevendo artigos para L’Echo de Paris e Le Matin. Após a morte de seu pai, em 1889, Gaston recebeu uma herança considerável, que ele prontamente passou a gastar, adquirindo o gosto pela boa comida, vinho e jogos de azar. Seu primeiro casamento em 1899 não durou muito e em 1902, na Suíça, conheceu Jeanne Cayatte, com quem teve dois filhos, e se casaram em 1917.
Como um notável repórter, Leroux assistiu a julgamentos, entrevistou prisioneiros e testemunhou execuções pela guilhotina, mas também viajou pelo mundo para regiões tão distantes como Rússia, Ásia e África e, assim, adquiriu uma visão em primeira mão de alguns eventos notáveis de sua época.
Em 1907, Gaston largou o jornalismo para se dedicar exclusivamente à literatura.
Gaston foi feito Cavaleiro da Legião de honra em 1909.
Em 1919, junto com Arthur Bernède, Gaston fundou sua própria companhia de cinema, a Société des Cinéromans, que produziu alguns dos livros escritos por ele. A personagem Chéri Bibi foi incluída nos dezesseis episódios do filme La Nouvelle aurore, escrito em 1918 pelo próprio autor. Como diretor da nova Société des Cinéromans produziu seis roteiros, incluindo a adaptação de O homem que vem de longe em 1916. Seu romance O Mistério do Quarto Amarelo, obra-prima de engenho que inspiraria os surrealistas, foi levado às telas em 1930, com direção de Marcel L’Herbier. Esta obra teve uma continuação, Le Parfum de la dame en noir, com três versões cinematográficas, a primeira em 1931, também dirigida por L’Herbier, a segunda em 1949 dirigida por Louis Daquin, e a terceira em 2005 com direção e roteiro de Bruno Podalydès.
As contribuições de Gaston para a literatura policial são equiparadas às de Arthur Conan Doyle, no Reino Unido e de Edgar Allan Poe, nos Estados Unidos. Sua prática como repórter permitiu-lhe imprimir um ar realista nas histórias, não apenas pela utilização de fatos reais, mas também por se valer de “depoimentos” e “entrevistas” das suas personagens.
Um fato curioso é que tinha o hábito de disparar tiros da sua varanda cada vez que terminava um livro.
Morreu aos cinquenta e nove anos, em 15 de abril de 1927 em sua casa em Nice, França.
O HOMEM QUE VIU O DIABO
e outros contos
Gaston Leroux
Completam esta edição os contos “A Estalagem Sinistra”, “A Mulher com o colar de veludo” e “Uma História Terrível”.
Tradução de Bira Câmara.
Brochura, 142 páginas.
Bira Câmara Editor.
PEDIDOS:
jornalivros@gmail.com
Gaston Leroux e o nascimento dos seriados cinematográficos
Criado a partir dos romances folhetinescos, os seriados cinematográficos ou filmes com episódios, surgiram na França na segunda metade de 1910. Este formato permitia que a história de um ou mais personagens fosse contada ao longo de um número de episódios previamente definidos. A fórmula foi estabelecida em 1917, com o filme Judex, de Louis Feuillade.
Ao final de 1918, René Navarre realizou as filmagens de La Nouvelle Aurore com o diretor Édourd-Émile Violet. Este filme conta as aventuras do personagem criado por Gaston Leroux, Chéri-Bibi, um sentenciado injustamente condenado. Foram produzidos 16 episódios, com exibição semanal.
Mas essa não foi a única originalidade desse filme: René acertou com Leroux e o gerente do jornal diário Le Matin, para que o lançamento teatral de La Nouvelle Aurore fosse acompanhado por uma narração simultânea dos episódios do filme no jornal.
Para René Navarre o filme foi um grande desafio. Ele teve que acompanhar o ritmo de filmagens de dimensões sem precedentes e constantemente repetidas, rodando filmes para serem entregues em datas previamente programadas e sem atraso, numa verdadeira corrida contra o tempo.
FONTE:
https://criminocorpus.org/fr/expositions/anciennes/art-et-justice/rene-navarre/la-nouvelle-aurore/




Nenhum comentário:
Postar um comentário