terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

"Os Argonautas", saga mitológica com sabor decadentista

Publicado em 1905, esta obra do escritor catarinense Virgílio Várzea é uma verdadeira raridade literária, burilada com delicada ourivessaria literária.
Texto de Bira Câmara

Apesar de filiado à corrente naturalista, em Os argonautas Virgílio Várzea reconta com sabor decadentista a saga de Jasão em busca do Velocino de Ouro. Na mitologia grega os argonautas eram tripulantes da nau Argo que, segundo a lenda grega, viajaram até a Cólquida (atual Geórgia) em busca do Tosão de ouro (ou Velocino de ouro).

A saga dos argonautas descreve esta perigosa expedição. A lenda foi relatada por Apolônio de Rodes, em seu poema épico A Argonáutica (ou Os Argonautas, c. 250 a.C.), traduzido em 1852 em português diretamente do grego por José Maria da Costa e Silva.

Segundo o mito, o rei Éson havia sido destronado por Pélias, seu meio irmão. Jasão, o filho de Éson, que fora exilado na Tessália e entregue aos cuidados do centauro Quíron, ao atingir a maioridade retornou para reclamar o trono que lhe pertencia por direito. Então, para se livrar do intruso, Pélias resolveu incumbi-lo da arriscada expedição em busca do Velocino de Ouro. Um arauto foi enviado por toda a Grécia a fim de convocar heróis que estivessem dispostos a participar da difícil empreitada. Assim, aproximadamente cinquenta jovens se apresentaram, todos eles heróis de grande renome e valor. Cada um deles desempenhou na expedição uma função específica, de acordo com suas habilidades.

Entre eles estava Orfeu, que tinha o dom da música, e coube-lhe a tarefa de cadenciar o trabalho dos remadores. Com sua voz ele sobrepujou o canto das sereias que seduziam os navegantes.

Argos construiu o navio e por isso, em sua homenagem, a embarcação, construída com madeira das árvores do bosque sagrado do oráculo de Dodona, recebeu seu nome. O piloto era Tífis, discípulo da deusa Atena na arte da navegação, morto na Bitínia e substituído por Ergino, filho de Poseidon, o deus dos mares. Castor e Pólux, gêmeos filhos de Zeus e Leda, atraíram a proteção do pai durante a tempestade que a nau enfrentou. Entre os heróis destacavam-se também Teseu, considerado o maior herói grego, Hércules (que não completou a expedição) e Jasão, chefe e comandante da expedição.

Este texto de Virgílio Várzea, verdadeira raridade literária, ficou no ostracismo e não foi reeditada até hoje. Uma obra para poucos e diferenciados leitores, que saberão apreciar a narrativa concisa, burilada com delicada ourivessaria literária.

Os Argonautas

Virgílio Várzea
Ilustrada,137 páginas, formato 11,5 X 18,5 cm.
Bira Câmara Editor


PEDIDOS:
jornalivros@gmail.com


Biografia

Virgílio dos Reis Várzea (Florianópolis6 de janeiro de 1863 – Rio de Janeiro29 de dezembro de 1941) foi um escritorjornalista e político brasileiro.

Filho de um marinheiro, nascido na freguesia de São Francisco de Paula de Canasvieiras, norte da Ilha de Santa Catarina, aos treze anos foi para a Escola Naval do Rio de Janeiro, onde ficou por três anos e saiu para percorrer o mundo. A bordo do navio Mercedes conheceu o UruguaiArgentinaPatagônia e Antilhas. A bordo do navio britânico Theodore, conheceu Cabo Verde e viajou pela Europa. Esteve também na África do Sul, e navegou pelo Oceano Índico.

Em 1881, passou a viver na Ilha de Santa Catarina, trabalhando em serviços burocráticos, estudando jornalismo e literatura. Liderou, de 1883 a 1887, a "Guerrilha Literária Catarinense" contra o conservadorismo romântico, visando a implantar a "Ideia Nova", ou seja, a renovação estética do Realismo-Naturalismo

Foi eleito deputado estadual ao Congresso Representativo de Santa Catarina (Assembleia Legislativa de Santa Catarina), foi constituinte em 1892 e, durante a 1ª Legislatura (1892-1893), desempenhou a função de 2º Secretário da Mesa Diretora.

Em 1896 partiu para o Rio de Janeiro, onde passou a morar.

Escreveu várias obras, algumas ambientadas no cotidiano da Florianópolis de então. Seu livro Santa Catarina: A Ilha é valiosa fonte de informação histórica sobre a Ilha de Santa Catarina. Em suas obras abordou contextos tão diversos como as Cruzadas e o Rio Ganges.

Amigo do poeta Cruz e Sousa, foi seu parceiro no livro Tropos e Fantasias (1885).

Participou da comissão de tradução da Tradução Brasileira das Sagradas Escrituras (Bíblia Sagrada). 


Fonte: 

Wikipedia (https://pt.wikipedia.org/wiki/Virg%C3%ADlio_V%C3%A1rzea)


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